sexta-feira, novembro 23, 2012

"Os Filhos da droga" - segundo Sara Silva



Atenção: Este post retracta uma história de dependência baseada em factos reais, com a devida autorização de seus intervenientes. Todas as referências a “droga” neste post referem-se a um novo tipo de “droga” criada, num quarto universitário, em 2004, por um tal de Mark Zuckerberg e seus amigos. Trata-se actualmente da droga mais consumida a nível mundial.

Esta é a história da dependência de Sara Silva, uma rapariga nascida a 12 de Dezembro de 1985 em Alcobaça (penso eu) e educada por uma doutrina católica. É uma menina de raízes humildes que viveu uma infância “normal”.
Mas tudo mudou quando, como é normal nestes casos, algures em 2008, um amigo próximo lhe falou desta nova “droga”, uma “droga” que lhe permitia chegar onde nenhuma outra até aí nos levava, mas sendo ela uma rapariga bem-educada resistiu e bem, a essa primeira provocação/tentação; mas mais tarde e depois de outros amigos a pressionarem a tal, ela cedeu e a 29 de julho de 2008  tomou a sua primeira dose da “droga” FB.
De início, convicta de suas palavras, sempre disse “Ahhh e tal, isto é engraçado e dá uma pica do caraças, mas não vai durar muito, e posso deixar quando quiser”, mas como todos os seus amigos também consumiam, nunca mais se afastou muito da sua “droga” o  FB. Começou com consumos esporádicos em dias de festa para se sentir mais perto dos amigos, mais tarde passaram a ser doses maiores e mais do que uma vez por semana, até ao ponto de ser ela a incentivar os amigos. Nessa altura a história podia ter tomado dois caminhos (como uma vara bifurcada:)), podia ter continuado com um consumo regular mas em doses consideradas “não viciantes” ou, como veio a acontecer, o consumo aumentou e as doses também.
No espaço de um ano começaram os consumos bi-diários e muitas vezes com doses superiores a 20min, tornou-se quase incontrolável. Neste momento, esta antes simples rapariga da Cumeira de Cima, já não consegue passar sem no mínimo 3 doses diárias de pelo menos 25min. E os sintomas são evidentes.
O seu vicio pelo Facebook chegou ao ponto de, em conversa normal:
- Responder a uma qualquer frase declarativa com um fechar de mão, sempre com o polegar em riste e dizendo “I LIKE”.
- Antes de efectuar qualquer resposta dizer “tenho de deixar o seguinte coment”.
- A qualquer pergunta que lhe é dirigida, responder com “Pode verificar essa informação no meu mural no post efectuado ás ***1*** horas do dia ***2***” (preencher “***1***” com a hora do post e “***2***” com a data do post)
- Sempre que gosta de uma piada ou citação dizer “eu partilho”
- Ficar chateada sempre que faz uma declaração ou exclamação e os seus amigos não respondem com “I LIKE”.
- Quando recebe uma nova informação sobre alguém, dizer “ tens de actualizar o teu estado”.
- Antes de aceitar qualquer compromisso dizer “ tenho de verificar os meus eventos para essa data”
Mas o seu vicio não se fica por aqui, a sua definição de momentos lúdicos está definida por aplicações como por exemplo o FarmVile2. E mais, sendo ela escuteira, seria de esperar que em dias de actividade conseguisse um pouco de desintoxicação, mas isso não acontece pois conseguiu tornar o seu vício portátil com o seu HTC.
Agora os únicos momentos em que sente realmente a ressaca, é quando se encontra em algum local remoto, sem 3g ou muito ocupada; é então que começa a tremer, roer as unhas, e ansiar por aquela adrenalina de estar nem que sejam 5min em frente à janela de ornamentos azuis, para ver o seu mural, falar com os amigos (mesmo estando eles na secretária ao lado) e partilhar as suas alegrias do dia-a-dia.
Para comprovar o seu estado de euforia, e de completa alucinação basta verem a imagem do seu blog: Espelho Meu
Mas o pior disto tudo é que em vez de serem os amigos e família a tentarem a desintoxicação, é ela que nos leva a consumir e ela a nossa principal fornecedora de FB, é dela que aparecem mais de metade das publicações que acedemos na nossa página inicial. E mais, como se não bastassem os amigos, ainda arrastou a sua mãe, que como forma de poder passar algum tempo com a sua filha se tornou também ela consumidora assídua de Facebook.
Esta é uma história sem fim de um vício real destas novas drogas que nos são oferecidas no dia-a-dia. 


A ti, querida Sara Silva deixo um agradecimento por deixares partilhar a tua história para que possamos ajudar outros antes que seja tarde demais e se deixem levar por algo pior com o Twitter

Nota: Afinal nasceu em Leiria…e é da Cumeira de baixo (foi só para picar) :-)

Ps: se é uma pessoa sensível não devia ter lido este post… Upssss

1 comentário:

Sara Silva disse...

E em 2012, segundo fonte oficiosa da "droga" foram 1277 horas (equivalente a 53 dia seguidos) de consumo! E, será que, com este número, tenho direito a galhardete para afixar na secretária de trabalho e para o meu chefe ver? ;)